sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mais Educação, um desafio para as escolas.


            O programa Mais Educação chegou em nossa escola como o salvador da pátria. A escola recebeu uma verba para comprar materiais pedagógicos e contratar monitores. As oficinas foram compostas de até 30 alunos de séries diversas e os funcionários também tiveram que fazer uma reorganização em seus horários para atendimento no programa.
O Programa Mais Educação atende, prioritariamente, escolas de baixo IDEB, marcados por situações de vulnerabilidade social que requerem a convergência prioritária de políticas públicas e educacional.
Considera-se o objetivo de diminuir as desigualdades educacionais por meio da jornada escolar. Recomenda-se adotar como critérios para definição do público, os seguintes indicadores:
– estudantes que estão em situação de risco, vulnerabilidade social e sem assistência;
– estudantes que congregam seus colegas – incentivadores e líderes positivos (âncoras);
− estudantes em defasagem série/idade;
− estudantes das séries finais da 1ª fase do ensino fundamental (4º / 5º anos), nas quais há uma maior evasão na transição para a 2ª fase;
− estudantes das séries finais da 2ª fase do ensino fundamental (8º e/ou 9º anos), nas quais há um alto índice de abandono;
− estudantes de séries onde são detectados índices de evasão e/ou repetência.
A escola até que tenta fazer deste projeto algo que talvez possa mudar e/ou melhorar a aprendizagem, a defasagem escolar a inclusão, etc. contratando e orientando jovens adolescentes, para monitoria dos projetos. Até ai nada de errado. Agora pensem comigo. Se um professor formado tem muitas dificuldades de trabalhar o seu conteúdo/série em sala de aula, com turmas de até 25 alunos, imaginem um adolescente sem formação acadêmica ainda, dar conta de uma oficina de letramento ou matemática, com turmas de até 30 alunos e de séries diferentes e os monitores tem que trabalhar essas oficinas de maneira diferente que o professor, tendo que ajudar o aluno que em sala de aula tem dificuldades, porque o projeto assim determina: diminuir as desigualdades educacionais.
O projeto seria perfeito se os monitores fossem professores aposentados e/ou estudantes de licenciaturas, e recebessem o valor digno ao trabalho que seria efetuado e centrado totalmente na defasagem da aprendizagem.
 “Você finge que ensina e eu finjo que aprendo”. É como tenho percebido o andamento deste projeto no que diz respeito a letramento e matemática. Muito desgaste. Na escola o projeto é chamado de mais bóia, mais bagunça, mais incomodo. É claro que tudo ainda esta no inicio e estamos aprendendo. Eu digo estamos porque, todos na escola estão envolvidos neste projeto. Os funcionários agora estão dando aula, quando o professor não vem é um funcionário que da aula e alguns até tem turmas do mais educação,  só não pode receber como monitor pois tem vinculo com a escola, patético. Mas estamos todos engajados neste projeto e torcendo para que de certo.
O alunado, no geral, não quer aprender. Essa é a maior dificuldade, que eu percebo, pois eles não vislumbram nada diferente do que vivem. Seus pais também não vêem algum futuro diferente para seus filhos. A maioria só não quer que eles sejam bandidos e drogados. Qual pai não quereria isso? Todos tememos isso com nossos filhos. Mas o governo, a escola e os professores querem mais para eles. Queremos que a sua aprendizagem vá alem do ler e escrever. Que ele perceba que é possível ir além do que seus pais foram, e que para isso precisam se esforçar e querer. Que a escola, os professores, os funcionários e o governo tentam fazer sua parte, mas esbarram no desinteresse dos alunos e pais. Se o programa vai ser bom ou não ainda não sabemos, mas todas as tentativas são válidas quando se trata de educação. 

Um comentário:

  1. obrigado pelo texto pretendo ser monitor e gostei muito ! abraços

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